Para mim, recomeçar sempre começava depois de algo dar errado. Se algo que eu tentava não dava certo, eu recomeçava. Às vezes tentava de novo; outras vezes, mudava completamente de objetivo. Mas será que recomeçar é apenas isso — um sinal de perda? Ou será que, no fundo, recomeçar é também uma forma de se reencontrar?
Nietzsche acreditava que precisávamos sempre nos reinventar. Para ele, o caos dentro de nós poderia dar luz a uma nova estrela. Ou seja, até mesmo do que deu errado poderia nascer um recomeço. Já Camus dizia que a vida, mesmo absurda, precisava ser vivida intensamente. E viver intensamente também significa aceitar recomeços — tantas vezes quantas forem necessárias. Mas, afinal… o que é recomeçar?
Cada pessoa traz uma visão. Para algumas amigas, recomeçar é deixar o passado para trás, mas aprender com ele. Para outras, é perder algo e nunca mais voltar ao que foi. E há quem acredite que não se perde nada quando se recomeça — a não ser que estejamos tentando reviver o passado, o que, nesse caso, seria uma perda inevitável. No meio de tantas opiniões, será que existe mesmo uma resposta única? Será que até o que é abstrato precisa ter uma definição concreta?
Para mim, recomeçar é como ir mal em um teste e tentar novamente. É se superar na dificuldade, é se ferir e aprender com os erros, é se machucar e, ainda assim, seguir em frente. Recomeço é uma forma bonita de nos permitirmos tentar de novo, de nos perdoarmos e, finalmente, deixar as feridas cicatrizarem. E talvez a grande pergunta seja: será que todos nós nos permitimos recomeçar? E você, caro leitor… tem se dado a chance de reiniciar?
No fim, o que todos precisamos é de um momento de silêncio, uma longa respiração e, então, coragem para dar o próximo passo. Como já dizia Carrie Bradshaw, em Sex and the City: “Afinal, computadores quebram, pessoas morrem, relacionamentos se desfazem. O melhor que podemos fazer é respirar e reiniciar.” Recomeçar não é um ponto final, é uma vírgula. É como uma chama que, mesmo apagada, pode ser acesa novamente. É o lembrete de que a vida sempre nos dá a chance de florescer — assim como uma flor que, mesmo ao murchar, depois de regada, encontra forças para renascer. Esse, para mim, é o verdadeiro recomeço.

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