05 de Maio: a língua que une, forma e transforma
Hoje acordei sem perceber que a data carregava mais do que números – cinco de maio. Um dia comum — café passando, mensagens chegando, rotina acontecendo. Até que, no meio disso tudo, me dei conta: é o Dia Mundial da Língua Portuguesa.
E, de repente, o comum ganhou sentido.
Pensei em quantas vezes tratamos a língua como obrigação, como regra, como algo que precisa ser “certo” o tempo todo. Mas a verdade é que o português nunca foi só isso. Ele é vivo! Ele respira na forma como falamos com a mãe, escrevemos uma mensagem apressada ou tentamos explicar um sentimento que nem sempre cabe em palavras. E talvez essa relação tenha começado muito antes do que eu mesma imaginava. Eu devia ter uns 12 anos quando escrevi a primeira versão da minha autobiografia. Não era perfeita, não seguia todas as regras — mas era minha. Ali, sem perceber, eu já entendia que escrever era uma forma de existir no mundo. Anos depois, essa certeza só cresceu: escolhi me formar em Letras porque amava a matéria, porque me encontrava nas palavras, porque escrever nunca foi só uma tarefa… era parte de quem eu sou.
Curioso pensar que tudo isso começou lá atrás, no latim do Império Romano, atravessou séculos, se moldou em diferentes bocas, ganhou sotaques, cores e histórias… até chegar aqui — na nossa voz de hoje.
E que voz diversa.
A mesma língua que ecoa nas ruas do Brasil também se reconhece em Portugal, dança em Angola e resiste em Moçambique. Não é sobre ser igual — é sobre pertencer, mesmo sendo diferente. Talvez seja isso que mais me encanta: o português não exige perfeição, ele pede expressão. Ele não quer silêncio — quer voz. Quer história. Quer identidade.
Porque, no fim das contas, é através dele que a gente aprende, questiona, ensina, ama, discorda e se conecta. É com ele que construímos pontes invisíveis entre pessoas que nunca se viram, mas que, de alguma forma, se entendem. Hoje não é só um dia para lembrar da língua portuguesa. É um dia para sentir.
Sentir que cada palavra que a gente diz carrega um pedaço de quem fomos, de quem somos e, talvez, de quem ainda vamos ser.
Colunista Professora Fabi Fortes






