Autor: Bernardo Tietze

  • O que significa ser mãe na contemporaneidade?

    O que significa ser mãe na contemporaneidade?

    Há quem diga que ser mãe hoje em dia é mais desafiador do que nas gerações anteriores. Há quem diga o contrário. Ambas estão certas, pois lidar com a maternidade por si só já é um desafio. Independente da época, ser uma mulher segura, confiante, exemplar e que “dá conta do recado” é uma utopia. Não importa sua origem ou classe social, ser mãe é viver oscilações. Inseguranças, ansiedades, medos e dúvidas são a realidade para o papel de cuidar, nutrir, dar afeto e educar uma criança. Nenhum bebê nasce com um manual de instruções.

    Eu já deixo claro neste texto que jamais vivenciarei o que uma mulher, sendo mãe ou não, experienciará na vida. Entretanto, trabalho sempre tentando compreender o que está ao meu alcance da empatia e estudos. Com isso, identifico que ser mãe no século XXI diz mais sobre a nossa rotina e expectativas do que a criação específica que você escolhe para seus filhos. É você se desdobrar em 20 para “dar conta do recado” quando tem que trabalhar, ir ao mercado, organizar suas coisas, cuidar dos seus filhos e, além disso, cuidar de si. São demandas que não acabam e reiniciam todos os dias.
    Ser mãe na contemporaneidade é tentar dar conta das expectativas e responsabilidades envolvidas na sua vida e na das crianças, mesmo quando o seu marido colabora e vive junto a caminhada. Um bom marido não ajuda, faz o que deve ser feito, porque isso também é responsabilidade dele. Já no caso de uma mãe-solo, encontramos mais desafios ainda.
    Por isso trago, neste texto, que ser mãe é um papel que compete contra o ritmo insano da vida contemporânea. Precisamos repensar no que a pressa, a falta de paciência e o desejo pelo silêncio representa na vida de todas elas.
    Será que não estamos indo longe demais, colocando tanto peso nas costas de quem está criando a próxima geração? Será que não conseguimos ter mais compaixão no mundo corporativo, para flexibilizar de acordo com as necessidades das mães? O que vale mais: a vida de uma família ou o faturamento ao final do mês? Este texto não é apenas para as mães, mas para todos aqueles que convivem com mulheres incríveis, que desempenham esse papel em um contexto que, ao invés de aliviar o peso, pressiona para que sejam “perfeitas”. Ser mãe na contemporaneidade significa lutar para ter a sua vida e a de sua família dignificada.

  • Entenda como funciona a procrastinação 

    Entenda como funciona a procrastinação 

    A procrastinação está relacionada ao sistema de recompensa, que prioriza o prazer e o conforto acima do restante. É aquele impulso que surge na sua mente te pedindo mais 5 minutinhos antes de acordar ou aquela vontade de ver mais um episódio da série antes de ir dormir. Ela serve como uma proteção para te manter animado e feliz, mas será que realmente te deixa assim?
    O ato de procrastinar pode ser prazeroso e, ao mesmo tempo, sofrível, porque enquanto você se diverte também sente culpa por pensar que deveria estar dedicando tempo e energia a uma responsabilidade. A procrastinação pode agir como um mecanismo de autossabotagem, em que, por se sentir inseguro e incapaz de realizar a tarefa, você fica confortável, em vez de encarar o sofrimento e a baixa autoconfiança. De qualquer forma, ela te prende no desejo do prazer momentâneo.
    Para evitar esse tipo de autossabotagem, você precisa entender quando e como que a procrastinação acontece na sua vida. Ao reconhecê-la logo no início, você pode agir com mais firmeza e escolher que caminho seguir: o fácil ou o correto. Essa não é uma escolha tranquila de se fazer na hora, mas, adquirindo consciência dela, você se torna mais forte nos seus comportamentos.
    Um ponto positivo é: quanto mais você pratica o seu autocontrole e decide o caminho certo, mais natural se torna essa decisão. Todo crescimento envolve prática, então, encare o desejo de procrastinar como uma oportunidade de ser melhor naquele momento e escolher o que te aproxima da vida que quer viver.
    Existe outro ponto biológico que também faz parte desta questão: o ser humano não gosta de mudar. Está no nosso DNA o instinto de permanecer na zona de conforto, pois, quando saímos dela, estamos ameaçando a vida como conhecemos. Experimentar o desconforto passa uma mensagem ao nosso cérebro de que aquilo está indo contra a nossa existência. Ou seja, seu subconsciente interpreta que, quando você sai da zona de conforto, você está em risco.
    Entretanto, ao fazer esse movimento, você se abre para novas experiências e amplia sua visão de mundo, sobre o que de fato te faz mal e o que pode ser uma oportunidade de desenvolvimento. Sendo assim, te convido a se esforçar para tomar controle das suas ações, adquirindo consciência do processo psíquico da procrastinação e se experimentando fora da sua zona de conforto. Quanto mais você sai dela, maior se torna a sua evolução.