Categoria: EDUCAÇÃO

  • Mais de 40 mil pessoas estiveram no Estância da Arte na Expointer

    Mais de 40 mil pessoas estiveram no Estância da Arte na Expointer

    Espaço recebeu escolas de mais de 10 cidades gaúchas, além de entidades para pessoas com deficiência, número foi recorde

    A Expointer terminou ontem, mas o Estância da Arte já deixa saudades. Durante os 9 dias da feira, mais de 40 mil pessoas estiveram no espaço cultural que completou 5 edições em 2025. Foram mais de 50 obras expostas entre telas, esculturas e cartoons de artistas de diversos recantos do Rio Grande do Sul e também da Argentina. Os artistas convidados desta edição foram: Carlito Bicca, Cristiano Ramos Alves, Dario Mastrosimone, Derli Vieira da Silva (Chapéu Preto), Márcia Bastos, Santiago e Sérgio Coirolo, além do curador Marciano Schmitz.

    Com o tema “Traços da Tradição”, o espaço cultural Estância da Arte mostrou a diversidade da cultura campeira e como ela representa o povo gaúcho a partir de diferentes olhares e técnicas. Mas foi mais do que isso: foi um espaço de conexão da alma com a arte através da inclusão. Escolas de mais de 10 cidades, entidades para pessoas com deficiência auditiva ou visual e o Centro de Apoio Psicossocial (CAPS) de Novo Hamburgo foram recebidos no espaço com visitas viabilizadas pela exposição.

    Momentos de emoção foram garantidos por encontros com os artistas e atenção com a acessibilidade. Uma obra de cada artista contou com prancha tátil, reproduções em relevo e textura para serem compreendidas por pessoas com deficiência visual, além da possibilidade de tocar as esculturas. QR Codes direcionaram os visitantes para vídeos explicativos com tradução em Libras. A exposição teve audiodescrição das obras e os arquivos de áudio em MP3, disponíveis ao público. Além disso, o espaço contou com acessibilidade física, mediação em Libras, além de guias videntes. “O Estância da Arte é um espaço para celebrar a cultura campeira e as expressões artísticas em suas diversas formas. Estamos extremamente felizes com a visitação, a receptividade do público e a parceria com os artistas. A partir de hoje, já começamos a preparar a próxima edição. A responsabilidade só aumenta – o que é ótimo!”, comemora Daniel Henz, diretor da produtora cultural Simples Assim, responsável pela realização do projeto. Os visitantes de fora do País também foram contemplados, com intérpretes para inglês e espanhol.

    Para o curador Marciano Schmitz a edição deste ano foi única, pelo envolvimento dos visitantes e dos artistas. “A cada ano o interesse das pessoas fica maior, foi possível notar que os visitantes ficaram impactados, tocados pelo que viam. Toda a dedicação em organizar um trabalho com diversidade de técnicas misturando artistas realistas e impressionistas teve um efeito muito além do esperado. Podemos perceber visitantes deslumbrados quando descobriram o espaço em meio a tanto do agronegócio e tecnologia”, avalia.

    Oficinas dão continuidade ao Estância da Arte

    Até o final de setembro, oficinas de poesia e trova e de arteeducação serão ministradas em escolas públicas estaduais e municipais de 8 cidades, ampliando o alcance do projeto para centenas de estudantes.

    Nas oficinas de arte-educação, Klau Brentano, artista plástica e arte-educadora, irá trabalhar com os estudantes a figura do cusco, o fiel companheiro do gaúcho na lida do dia a dia. Os alunos serão desafiados a retratar esse animal tão querido usando a técnica de desenho com giz pastel sobre papel. Já na oficina Alquimia Poética, Paulo de Vargas, poeta, professor e declamador, trará aos estudantes a beleza da poesia campeira e instigará os alunos a produzirem seus próprios textos a partir da temática. As cidades que irão receber as oficinas são Porto Alegre, Canoas, Capivari do Sul, Camaquã, Passo do Sobrado, Rio Pardo, Novo Hamburgo e Gravataí.

    O Estância da Arte (PRONAC: 244749) é uma realização da Simples Assim, Ministério da Cultura e Governo Federal União e Reconstrução, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura e conta com patrocínio master do Banco de Lage Landen e da Guaibacar, patrocínio da Agrofel, apoio da RBS TV e Associação Brasileira de Criadores de Cavalos Crioulos.

  • Agosto Dourado: especialistas explicam os benefícios físicos e emocionais da amamentação e alertam para os desafios enfrentados pelas mães

    Agosto Dourado: especialistas explicam os benefícios físicos e emocionais da amamentação e alertam para os desafios enfrentados pelas mães

    Pediatras explicam os efeitos na imunidade, no vínculo afetivo e na prevenção de doenças, além de apontarem mitos, falta de apoio e políticas públicas insuficientes como entraves à amamentação

     

    Agosto é o mês dedicado à conscientização sobre o aleitamento materno, em uma campanha que ficou conhecida como Agosto Dourado — o dourado simboliza o “padrão ouro” do leite materno. Mas a amamentação, apesar de natural, ainda exige informação, apoio e acolhimento para que se torne uma experiência saudável e possível para todas as mães. Para entender melhor os benefícios e os desafios que envolvem esse processo, conversamos com as pediatras Rita de Cássia Nunes e Aline Novatto, da VS Clinic, que destacam não só os aspectos nutricionais e imunológicos do leite materno, mas também os impactos emocionais e sociais desse ato.

    “O leite materno é um alimento vivo, adaptado exatamente às necessidades do bebê. Ele fornece todos os nutrientes, vitaminas, minerais, anticorpos e fatores bioativos essenciais para o crescimento e desenvolvimento”, afirma Aline. Segundo ela, nenhum outro alimento ou fórmula consegue reproduzir essa composição única. “O leite contém substâncias como lisozima, lactoferrina e imunoglobulinas, que defendem o bebê de infecções em um período em que ele ainda não está pronto para se proteger sozinho”, complementa Rita.

    Mas os benefícios vão além da biologia. “A amamentação é mais do que um simples ato de alimentação; ela é um momento de profunda conexão. Durante o contato pele a pele, o bebê sente segurança e bem-estar, e a mãe libera ocitocina, o hormônio do amor”, explica Rita. Para Aline, esse vínculo também promove “regulação emocional e apego saudável”, o que impacta o desenvolvimento do bebê a longo prazo.

    Apesar de todos os benefícios, amamentar não é sempre fácil — e muitas mulheres enfrentam dificuldades já nos primeiros dias. “Dor, fissuras nos mamilos, pega incorreta e baixa produção de leite são queixas muito comuns”, aponta Aline.  Rita acrescenta que o estresse e a falta de descanso também interferem: “Muitas mães produzem mais leite pela manhã, após um boa noite de sono. Por isso, é essencial que elas tenham tempo para descansar durante o dia”.

    As especialistas ressaltam que o sucesso da amamentação não depende só da mãe. “A rede de apoio é essencial. Profissionais capacitados, familiares presentes, políticas públicas e locais adequados para ordenha fazem toda a diferença”, comenta Aline. Ela cita como exemplo a necessidade de salas de apoio à amamentação nos locais de trabalho e campanhas educativas que normalizem o aleitamento em público.

    Mitos que atrapalham e verdades pouco faladas 

    Entre os maiores obstáculos à amamentação está a desinformação. “O mito do leite fraco é um dos mais prejudiciais. O leite materno é sempre adequado para o bebê. Ele pode parecer aguado em alguns momentos, mas isso é normal — a composição muda ao longo da mamada”, explica Aline. “A natureza sempre preserva a cria! Vai retirar o ômega do cérebro da mãe, o cálcio dos ossos, mas não vai deixar faltar para o bebê. Esse mito pode gerar insegurança e levar ao uso precoce de fórmulas desnecessárias”, alerta Rita.

     Outro ponto pouco discutido, segundo as médicas, é que amamentar requer preparo, informação e suporte constante. “Não é só força de vontade. Muitas dificuldades poderiam ser evitadas se houvesse orientação especializada desde os primeiros dias de vida do bebê”, lembra Aline.

    Para que mais mães possam viver a experiência de amamentar com tranquilidade, as médicas defendem que é necessário que a sociedade como um todo assuma responsabilidade. “Promover a amamentação como algo natural e essencial é o primeiro passo. No ambiente de trabalho, é preciso garantir horários flexíveis e espaços adequados para extração e armazenamento do leite”, afirma Rita.

    Já em locais públicos, a orientação é clara: “É importante criar espaços para quem quiser mais privacidade, mas nunca impor o afastamento. O aleitamento deve ser respeitado em qualquer ambiente”, defende Aline. 

    Sobre as médicas:

    Rita de Cássia Nunes: Graduada em Medicina pela Universidade de Passo Fundo, com residência médica em Pediatria no Hospital São Lucas da PUCRS. Possui especialização em Pneumologia pelo Hospital da Criança Santo Antônio da ISCMPA e pela FFFCSPA, além de formação em Homeopatia pela Fundação de Estudos Médicos Homeopáticos do Paraná. Concluiu Mestrado em Medicina e Doutorado em Ciências Pneumológicas na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e tem especialização em Medicina Funcional Integrativa pela ABMFI. Atua como professora, pesquisadora e palestrante em congressos nacionais e internacionais. CRM/RS: 20545 | RQE: 10514 | RQE: 27483

    Aline Novatto: Médica graduada pela Universidade de Uberaba, com residência em Pediatria no Instituto Leonor Barros de Camargo, vinculado ao Sistema Único de Saúde do Estado de São Paulo. Possui especialização em Cardiologia Pediátrica e Cardiopatias Congênitas pelo Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia e pós-graduação em Nutrição Funcional Materno-Infantil pelo Instituto Andréia Friques. Atua em UTIs neonatais e cardiológicas de alta complexidade em São Paulo e região, sendo credenciada em alguns dos principais hospitais da capital, como o Hospital Albert Einstein. É membro da Academia Funcional Integrativa. CRM-SP |196392 – RQE 118999

     

     

    Dra. Rita de Cássia 
    Dra. Aline Novatto